A inadimplência empresarial recorde no Brasil ganhou um novo capítulo. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, o maior número da série histórica da Serasa Experian. Juntas, essas empresas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas.
O dado merece atenção não apenas pelo tamanho. Em maio, o país já havia ultrapassado 9 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 229,9 bilhões em dívidas. Portanto, além de permanecer em nível recorde, o volume financeiro continuou avançando.
Para lideranças financeiras, o alerta é claro: quando o recebimento desacelera enquanto crédito, capital de giro e custos financeiros permanecem pressionados, a inadimplência deixa de ser apenas um indicador da carteira. Ela pode começar a comprometer a própria capacidade da empresa de financiar sua operação.
O que o novo recorde de inadimplência empresarial mostra?
Segundo a Serasa Experian, cada empresa inadimplente acumulava, em média, 7,3 contas em atraso em junho. A dívida média chegou a R$ 25,5 mil por CNPJ, enquanto o ticket médio das pendências ficou em aproximadamente R$ 3,5 mil.
Além disso, micro e pequenas empresas continuam concentrando grande parte do problema. Ao mesmo tempo, a distribuição setorial mostra que a pressão não está restrita a um único segmento: serviços representavam 55,7% dos CNPJs negativados, seguidos por comércio, indústria e setor primário.
Por trás desses números existe uma questão especialmente relevante para empresas que vendem a prazo: o efeito em cadeia da inadimplência.
Quando um cliente atrasa, o credor demora mais para transformar receita em caixa. Se os atrasos aumentam, cresce a necessidade de financiar a própria operação. Entretanto, em um ambiente de crédito mais seletivo e caro, recorrer constantemente a capital externo pode ampliar ainda mais a pressão financeira.
Por isso, acompanhar somente faturamento ou volume de vendas não basta. Aging da carteira, prazo médio de recebimento, concentração de risco, reincidência de atrasos e capacidade de recuperação precisam fazer parte da leitura financeira.
Casas Bahia e Grupo Toky reforçam o alerta sobre liquidez
Dois acontecimentos recentes no varejo ajudam a dimensionar como problemas de liquidez podem ganhar escala.
Casas Bahia: R$ 17,3 bilhões envolvidos na recuperação judicial
O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial em agosto de 2026. Segundo a Forbes, aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos, seguradoras, fornecedores, aluguéis e dívidas trabalhistas estão envolvidos no processo. A companhia também havia reportado prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre.
Entre os fatores apresentados pela própria empresa estão juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e o capital de giro, além de alternativas de captação que não se concretizaram. O plano de redimensionamento da operação já incluiu o fechamento de 298 lojas.
Naturalmente, uma recuperação judicial dessa dimensão não pode ser atribuída a um único fator. Porém, o caso evidencia o peso que uma estrutura de capital pressionada e a redução da liquidez podem assumir ao longo do tempo.
Tok&Stok e Mobly: receita menor e reestruturação
O Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, também atravessa recuperação judicial. No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões, ante R$ 88,8 milhões no mesmo período de 2025. Além disso, a receita operacional líquida caiu 37,3%.
Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, a rede passou de 64 para 52 lojas próprias. A companhia também relatou impactos de um ambiente macroeconômico restritivo e rupturas de estoque após o pedido de recuperação judicial afetar a relação com fornecedores.
Novamente, não se trata de afirmar que inadimplência de clientes levou essas empresas à recuperação judicial. O ponto é outro: quando geração de caixa, acesso ao crédito e capacidade de honrar compromissos se deterioram simultaneamente, a margem para reação diminui rapidamente.
Antes da crise de liquidez, existem sinais
Uma empresa dificilmente chega a uma situação crítica de caixa de um dia para o outro.
Antes disso, normalmente aparecem sinais que podem ser monitorados: aumento do aging, crescimento da carteira vencida, quebra recorrente de acordos, clientes relevantes postergando pagamentos e maior dependência de crédito para financiar capital de giro.
Nesse cenário, melhorar a recuperação de crédito nas empresas deixa de ser uma ação apenas operacional. É uma estratégia de proteção do fluxo de caixa.
Além disso, dados precisam orientar a priorização. Um CRM de cobrança, por exemplo, pode centralizar informações da carteira, automatizar etapas e ampliar a visibilidade sobre atrasos e negociações. A Global oferece esse tipo de tecnologia integrada à gestão do contas a receber.
Da mesma forma, terceirizar parte da recuperação pode aumentar a capacidade de atuação sem exigir que a equipe interna absorva todo o volume de negociações.
Recuperar antes que o problema chegue ao caixa
O recorde de inadimplência empresarial não significa que todas as empresas brasileiras estejam caminhando para uma crise. Contudo, ele mostra que o risco de crédito está mais disseminado e que depender apenas de ações reativas pode custar caro.
Quanto mais envelhece uma dívida, maior tende a ser a complexidade da recuperação. Enquanto isso, o valor que deveria estar disponível para salários, fornecedores, estoque, investimentos ou expansão permanece imobilizado no contas a receber.
Portanto, o momento de agir não é quando a liquidez já se tornou crítica.
Se a inadimplência da sua carteira já começa a pressionar o caixa, fale com a Global antes que o problema ganhe outra dimensão. Com soluções de recuperação de crédito B2B que combinam especialistas, tecnologia e inteligência de dados, a Global atua para recuperar valores e proteger o fluxo financeiro da operação.
Perguntas frequentes
Quantas empresas estão inadimplentes no Brasil?
Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, segundo a Serasa Experian. É o maior número registrado desde o início da série histórica.
Qual é o valor das dívidas das empresas inadimplentes?
As dívidas negativadas somavam R$ 232,9 bilhões em junho de 2026. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulava 7,3 contas em atraso.
Como a inadimplência de clientes afeta o fluxo de caixa?
Quando clientes atrasam pagamentos, a empresa demora mais para converter vendas em caixa. Assim, pode precisar recorrer a capital de giro, adiar investimentos ou renegociar seus próprios compromissos financeiros.
Como reduzir o impacto da inadimplência empresarial?
O primeiro passo é monitorar indicadores da carteira, segmentar clientes por risco e atraso, estruturar uma régua de atuação e iniciar a recuperação rapidamente. Além disso, tecnologia e apoio especializado podem aumentar escala, controle e eficiência da operação.