Split payment e contas a receber: o que muda na conciliação e na cobrança

Uma venda foi faturada, o cliente realizou o pagamento, mas o valor depositado na conta é diferente do esperado. Isso […]

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Uma venda foi faturada, o cliente realizou o pagamento, mas o valor depositado na conta é diferente do esperado. Isso significa inadimplência?

Com o split payment, contas a receber e conciliação financeira precisarão trabalhar de maneira ainda mais integrada. Afinal, o novo mecanismo da Reforma Tributária poderá separar parte dos tributos no momento da liquidação financeira.

O que é split payment e como funciona?

O split payment, ou pagamento dividido, é um mecanismo previsto na reforma tributária para segregar e recolher valores de IBS e CBS durante a liquidação financeira de determinadas operações.

Conforme a Lei Complementar nº 214/2025, o procedimento padrão considera os débitos tributários vinculados à operação e as parcelas já extintas pelas modalidades legalmente previstas.

Assim, a parcela destinada ao recolhimento tributário pode deixar de transitar pelo caixa da empresa.

Entretanto, isso não significa que todo pagamento sofrerá automaticamente a mesma retenção. O funcionamento dependerá das regras aplicáveis, dos valores devidos e da implementação gradual do sistema.

Segundo o InfoMoney, o mecanismo também poderá exigir revisões no planejamento do capital de giro.

Como o split payment impactará a conciliação de contas a receber?

A principal mudança operacional será a necessidade de distinguir o pagamento realizado pelo cliente do valor efetivamente disponibilizado na conta bancária.

Faturamento e recebimento líquido não são a mesma coisa

Atualmente, muitas empresas conciliam títulos comparando valores faturados com créditos bancários.

Com o split payment, entretanto, uma diferença poderá representar segregação tributária, e não necessariamente pagamento incompleto.

Por isso, a conciliação precisará considerar três informações:

  • valor total da operação e do título;
  • valor segregado para recolhimento tributário;
  • valor líquido efetivamente recebido.

Além disso, tarifas financeiras, ajustes e eventuais devoluções precisarão continuar identificados separadamente.

Pagamentos parcelados exigirão atenção adicional

Nas operações abrangidas pelo mecanismo, a legislação prevê segregação proporcional na liquidação financeira das parcelas.

Consequentemente, o financeiro precisará acompanhar cada pagamento e sua vinculação ao documento fiscal correspondente.

Em situações de divergência, será essencial identificar a origem antes de alterar o status do título.

Esse cuidado reforça a importância de um sistema de cobrança integrado ao ERP e aos processos financeiros.

O que muda na cobrança B2B?

A cobrança também precisará de informações mais precisas. Afinal, uma diferença bancária não pode ser tratada automaticamente como inadimplência.

Evitar cobranças indevidas

Imagine que o cliente tenha cumprido integralmente sua obrigação de pagamento, mas parte do valor tenha sido segregada pelo mecanismo tributário.

Nesse cenário, cobrar novamente essa diferença poderia gerar um contato indevido.

Portanto, antes de acionar o cliente, será necessário verificar o pagamento, sua vinculação fiscal e os registros de conciliação.

E os títulos vencidos recuperados posteriormente?

Outro ponto relevante envolve pagamentos realizados após o vencimento original.

O tratamento de títulos inadimplidos, renegociações e valores recebidos por intermediários exigirá atenção à documentação e às regras aplicáveis.

Na Global, estamos acompanhando esses desdobramentos, especialmente quanto à identificação, conciliação e ao repasse dos valores recuperados aos nossos clientes.

Entretanto, não devemos presumir que toda dívida recuperada estará automaticamente sujeita ao mesmo procedimento de segregação.

Como preparar o contas a receber para o split payment?

Embora a implementação seja gradual, algumas medidas já podem começar.

1. Revise os processos de conciliação. Identifique onde diferenças entre valores faturados e recebidos são tratadas automaticamente como pendências.

2. Integre informações fiscais e financeiras. Documento fiscal, título, pagamento e eventual segregação precisarão ser rastreáveis.

3. Reavalie as regras de baixa. Diferencie pagamentos confirmados de divergências operacionais antes de iniciar uma cobrança.

4. Simule cenários de fluxo de caixa. Considere possíveis mudanças na disponibilidade dos recursos e na necessidade de capital de giro.

5. Atualize a régua de cobrança. Inclua verificações de conciliação para evitar contatos desnecessários e preservar o relacionamento comercial.

Para aprofundar essa preparação, conheça nossas soluções de gestão de contas a receber e cobrança.

Quando o split payment entra em operação?

A implementação será gradual, conforme a regulamentação da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

Em 15 de outubro de 2026, começou a fase de testes técnicos de integração da plataforma, sem processamento definitivo de transações reais.

Portanto, ainda não se trata de uma aplicação generalizada nas operações das empresas.

A Serasa Experian também destaca a importância de preparar controles financeiros e projeções de caixa durante essa transição.

Conciliação mais precisa, cobrança mais inteligente

O split payment não representa apenas uma mudança tributária. Ele também exigirá maior integração entre faturamento, fiscal, tesouraria e cobrança.

Por isso, preparar o contas a receber significa reduzir divergências, evitar cobranças indevidas e preservar a previsibilidade financeira.

Quer melhorar a gestão dos seus recebíveis? Converse com nossos especialistas e descubra como podemos apoiar sua operação de cobrança B2B.

Perguntas frequentes sobre split payment e contas a receber

O split payment altera o valor da dívida do cliente?

Não necessariamente. O mecanismo modifica a forma de recolhimento dos tributos, não o valor da obrigação comercial. Portanto, a baixa deve considerar o pagamento realizado e a conciliação correspondente.

Como conciliar recebimentos com split payment?

É necessário relacionar documento fiscal, título financeiro, pagamento, valor segregado e crédito bancário. Assim, diferenças tributárias podem ser identificadas sem serem confundidas com inadimplência.

O split payment será aplicado às parcelas?

Nas operações abrangidas, a legislação prevê segregação proporcional na liquidação financeira de cada parcela, conforme as regras aplicáveis.

O split payment já é obrigatório em 2026?

Não de forma geral. Em outubro de 2026, a plataforma está em fase de testes técnicos. A entrada em funcionamento seguirá a implementação gradual definida pela regulamentação.

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