A inadimplência no Brasil alcançou níveis históricos em 2025, refletindo um cenário econômico desafiador que impacta empresas de todos os portes. Ao longo do ano, diferentes levantamentos mostraram uma piora contínua nos indicadores de atraso corporativo, determinando maior pressão sobre o caixa, sobre o acesso ao crédito e, consequentemente, sobre a própria sustentabilidade dos negócios. Em um contexto assim, entender indicadores de recuperação e práticas eficazes de gestão de contas a receber deixou de ser apenas diferencial e tornou-se uma necessidade estratégica.
O recorde de inadimplência empresarial em números
Os dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian trouxeram à tona um cenário preocupante: em março de 2025, 7,3 milhões de empresas brasileiras estavam em atraso, o maior número já registrado desde o início da série histórica. Esse contingente somava R$ 169,8 bilhões em dívidas acumuladas, com, proporcionalmente, a maior parte dos casos concentrada no setor de serviços, seguido por comércio e indústria.
Essa tendência não foi isolada. Em setembro, outro levantamento apontou que cerca de 8 milhões de empresas apresentavam contas em atraso, equivalendo a mais de R$ 156 bilhões em dívidas e impactando especialmente micro, pequenas e médias organizações, que respondem pela maior parte dos CNPJs negativados no país.
E a trajetória continuou a piorar ao longo do ano: dados de outubro de 2025 indicaram que o número de empresas inadimplentes chegou a 8,7 milhões, com um total recorde de R$ 204,8 bilhões em obrigações vencidas e não pagas.
Causas e reforços macroeconômicos
Esses níveis de atraso empresarial não surgiram por acaso. O Brasil em 2025 segue sob um regime de juros elevados e crédito restrito, que limita a capacidade de refinanciamento e renegociação de dívidas. A elevação prolongada da taxa básica de juros (Selic) reduz o apetite por crédito, encarece o capital e pressiona o fluxo de caixa das empresas, principalmente as menores, que têm menor margem de manobra financeira.
Ao mesmo tempo, a redução na concessão de crédito agrava a situação: com bancos e instituições financeiras mais cautelosos, empresas em atraso perdem canais de renegociação mais favoráveis, dificultando ainda mais a solução de pendências antes que elas se transformem em crises de liquidez. Esses fatores macroeconômicos criam um ambiente onde a inadimplência se retroalimenta, afetando tanto a confiança de fornecedores quanto as condições de financiamento de curto e médio prazo.
O papel dos indicadores de recuperação no cenário atual
Neste contexto de deterioração dos indicadores de crédito corporativo, surge a importância de métricas que vão além da simples contagem de inadimplentes. São os indicadores de recuperação que trazem à tona a qualidade e a eficácia das ações de cobrança e de manutenção do fluxo de caixa. Eles mudam o foco de “quem está atrasado” para “quem está efetivamente recuperando”.
A nova edição do IGR, Índice Global de Recuperação de Crédito B2B, consolidado com dados reais ao longo de 2025, revela que a recuperação de títulos não se comporta de forma linear ao longo do tempo. Enquanto muitos gestores tendem a olhar apenas para o total de inadimplentes ou para os atrasos acima de 90 dias, o IGR mostra que a janela mais crítica está muito antes disso, logo nos primeiros dias após o vencimento.
Segundo os dados consolidados do IGR 2025, até 10 dias de atraso, as taxas de recuperação ainda se mantêm acima de 80% em diversos segmentos e regiões.
Essa é a chamada “janela de ouro” da recuperação: um período em que ações rápidas têm maior probabilidade de sucesso. Porém, essa taxa se reduz significativamente conforme o atraso se prolonga, caindo para menos de 40% entre 31 e 60 dias e para níveis residuais após 180 dias.
Esse padrão evidencia que o simples atraso de decisão, ou seja, postergar ações de cobrança, custa mais do que muitas empresas imaginam.
O IGR 2025, assim, não apenas apresenta números, mas reforça que a interpretação e a ação sobre esses indicadores de recuperação podem fazer a diferença entre recuperar receita ou consolidar prejuízo.
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Gestão de contas a receber: do operacional ao estratégico
O aumento exponencial da inadimplência em 2025 torna evidente que a gestão de contas a receber não pode mais ser tratada como função burocrática de rotina. Ao contrário, ela precisa estar integrada à estratégia financeira da empresa, pautada por dados e capazes de antecipar riscos.
Tradicionalmente, muitas organizações apenas acionam cobrança quando o atraso já ultrapassa 30 ou 60 dias. O relatório do IGR 2025 mostra, no entanto, que essa abordagem reativa perde eficiência justamente quando sua urgência aumenta.
A ação tardia, em vez de mitigar o problema, potencializa perdas: títulos que poderiam ser recuperados com mais de 80% de eficiência no curto prazo se tornam, ao longo de meses de atraso, praticamente incobráveis.
Portanto, transformar a gestão de contas a receber em um processo orientado por dados, com acompanhamento contínuo, segmentação por faixa de atraso e regulação de ações conforme o risco, é uma das recomendações mais fortes que emergem tanto do mercado quanto do IGR. Essa abordagem fortalece o caixa, reduz a dependência de linhas de crédito externas e melhora a previsibilidade dos resultados financeiros.
Pressão regulatória e ambiente econômico
Ao mesmo tempo, a pressão econômica mais ampla, como a desaceleração na concessão de crédito devido ao aperto monetário e à alta de juros, reforça a necessidade de planos de recuperação mais eficazes. Com a oferta de crédito mais restrita, empresas em dificuldades financeiras veem diminuída sua capacidade de refinanciamento, aumentando a importância de medidas proativas de recuperação e renegociação.
Além disso, o aumento no número de pedidos de recuperação judicial ao longo do tempo, indica uma tendência de empresas buscando soluções formais para crises que começam muitas vezes com atrasos operacionais que poderiam ter sido geridos antes de atingir um ponto crítico.
Oportunidades em meio ao desafio
Apesar do cenário desafiador, há oportunidades claras para as empresas que adotam uma postura estratégica em relação ao crédito e ao contas a receber. Organizações que investem em tecnologia para rastrear comportamento de pagamento, que segmentam portfólios por risco e que executam ações de cobrança no tempo certo tendem a preservar receita de forma mais eficiente.
Nesse sentido, os indicadores de recuperação tornam-se não apenas métricas de desempenho, mas ferramentas de governança e previsão. Eles permitem ao gestor financeiro tomar decisões mais informadas, direcionar recursos de forma eficiente e estruturar políticas de crédito e cobrança alinhadas à realidade do mercado.
Uma nova fronteira para a recuperação de crédito
O ano de 2025 trouxe à tona desafios inéditos para o ambiente de crédito no Brasil. A inadimplência em níveis recordes, impulsionada por juros altos e restrições de crédito, expôs fragilidades e acelerou a necessidade de práticas mais maduras de gestão financeira. Nesse cenário, indicadores de recuperação e uma abordagem integrada de gestão de contas a receber se destacam como diferenciais competitivos que podem fazer a diferença entre sobrevivência e estagnação.
O IGR 2025 não apenas documenta o que aconteceu ao longo do ano, mas oferece uma lente estratégica para antecipar riscos e agir de forma mais inteligente no futuro. Se a sua empresa ainda não aprofundou a leitura desses dados, agora é o momento.
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